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Banco Central mantém taxa de juros em 6,5% ao ano

Se cenário para a inflação piorar, estímulo de juros baixos pode ser removido, diz BC

 
 
Anaïs FernandesMaeli Prado
SÃO PAULO e BRASÍLIA
 

Sem surpresas, o Banco Central manteve nesta quarta-feira (19) a taxa básica de juros da economia na mínima histórica de 6,5% ao ano, mas sinalizou que pode subir a Selic mais à frente caso o cenário para a inflação se torne mais arriscado.

A estabilidade da Selic, decidida por unanimidade pelo Copom  (Comitê de Política Monetária), era a aposta de 37 dos 38 analistas consultados pela agência Bloomberg.

Essa é a quarta manutenção seguida da taxa, após o BC encerrar em maio o ciclo de cortes.

No comunicado da decisão, o Comitê afirmou, porém, que a taxa pode aumentar.

“O Copom reitera que a conjuntura econômica ainda prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural. Esse estímulo começará a ser removido gradualmente caso o cenário prospectivo para a inflação no horizonte relevante para a política monetária e/ou seu balanço de riscos apresentem piora”, declarou.

O BC reafirmou que a continuidade das reformas econômicas e ajustes é essencial para a manutenção da variação de preços em um nível baixo no médio e longo prazos.

“O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes."

Essa foi a última reunião antes das eleições presidenciais. O forte crescimento nas pesquisas do candidato do PT, Fernando Haddad, é encarado pelo mercado como sinal de que as reformas fiscais podem perder peso.

Para o Copom, aumentou o risco de que uma frustração de expectativas em relação à continuidade das reformas e ajustes na economia brasileira eleve a trajetória esperada para os preços.

“Uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária."

Além disso, incertezas políticas no período pré-eleitoral fizeram o dólar disparar quase 10% ante o real desde a última reunião do Copom, em 1º de agosto, levantando mais receios sobre pressão inflacionária.

O ritmo ainda fraco da economia, no entanto, é apontado por especialistas como justificativa para a manutenção dos juros em níveis baixos.

Luis Afonso Lima, economista chefe da Mapfre Investimentos, define a situação da autoridade monetária como ingrata. 

De um lado, diz, a atividade econômica está fraquíssima. Ele cita dados do IBGE sobre os setores em julho, que apontaram queda de 2,2% no volume de serviços, na comparação com junho, retração de 0,5% no comércio varejista e recuou de 0,2% na produção industrial. 

"Se olhar para frente, condicionantes como mercados de trabalho e de crédito e confiança também são ruins", completa. A taxa de desemprego ficou de 12,3% no trimestre encerrado em julho.

Diante da falta de ânimo para gastar dos brasileiros, o IPCA, que mede a inflação oficial do país, recuou 0,09% em agosto, a menor taxa para o mês desde 1998.

Em 12 meses, a inflação medida pelo IPCA é de 4,19%. O centro da meta estabelecido pelo Banco Central para 2018 é 4,5%.

"A inflação do Brasil vem sob controle e isso já considerando os efeitos da greve de caminheiros", afirma  André Diz, professor de macroeconomia do Ibmec/SP.

Por outro lado, Lima ressalta que a forte depreciação do real nas últimas semanas gera alguma receio com a inflação. "Num primeiro momento, não é ainda uma preocupação latente, mas sabemos que ela pode aumentar ao longo do tempo", afirma.

Uma conta comum entre economistas é que uma depreciação cambial de 10% elevaria em cerca de 0,5 ponto percentual a inflação. O "contágio" pode afetar sobretudo itens como combustíveis e energia.

Economistas ponderam que, com a economia em ritmo lento, esse pass-through (repasse) da taxa de câmbio para índices de preços tem se mostrado limitado, já que muitas empresas preferem reduzir margem do que passar custos para o preço final a um consumidor já retraído. 

"Os modelos dão um choque no câmbio e avaliam como isso impactaria preço. Esse efeito costuma chegar à economia em seis a nove meses, mas como a atividade está muito fraca, a capacidade de repasse de preços é menor", explica Diz.

Para o Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da Anbima (associação das entidades de mercado), os efeitos da desvalorização do real na inflação ainda não podem ser completamente mensurados, seja pelas dúvidas quanto à persistência do atual patamar do câmbio, seja pelas incertezas quanto às defasagens do repasse aos preços. 

A despeito de esses efeitos serem limitados pelo grau de ociosidade da economia, o grupo avalia como provável que a trajetória do câmbio eleve as expectativas de inflação.

Na última pesquisa Focus do Banco Central com economistas, divulgada na segunda-feira (17), as previsões para o IPCA no fim do ano subiram de 4,05% para 4,09%. A expectativa para o PIB (Produto Interno Bruto), porém, caiu de crescimento de 1,4% para 1,36%. Assim, a projeção para a Selic foi mantida em 6,5%.

EXTERIOR

O Copom também avaliou na nota que os riscos com a deterioração do cenário externo para economias emergentes se elevaram. 

O Comitê da Anbima destacou que a trajetória de crescimento da economia americana somada a tensões relacionadas à guerra comercial entre Estados Unidos e China reforça a aversão ao risco para os países emergentes.

Nesta semana, o presidente americano, Donald Trump, anunciou a ampliação da lista de produtos chineses sobretaxados. Pequim prometeu retaliar e acionou a OMC (Organização Mundial do Comércio), acusando os EUA de protecionismo.

'O ambiente externo se tornou mais volátil com a escalada de medidas protecionistas, diminuição do apetite ao risco e deterioração das condições de mercado para economias emergentes", escreveram os analistas do banco BTG Pactual em relatório.

O Comitê da Anbima avalia que, se reformas avançarem no próximo ano, aumentam as chances de recuperação do quadro fiscal, o que poderia melhorar as expectativas do cenário econômico e diminuir riscos para a inflação e os juros. Caso contrário, diz, a percepção de risco da economia pode aumentar, com reflexos negativos na trajetória da taxa de câmbio e da inflação.

Alguns analistas, que ainda não são a maioria no mercado, projetam a possibilidade de um aumento da Selic já na reunião do Copom em dezembro deste ano. ​

 

Fonte: Folha de S.Paulo, 21 de setembro de 2018.

 

Fonte: sintracimento.org.br

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