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Mercado financeiro já pressiona futuro presidente, alerta economista

Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, o economista Paulo Nogueira Batista Jr. aborda as movimentações do mercado, às vésperas das eleições. No texto intitulado “Começou o terceiro turno”, ele afirma que os agentes do sistema financeiro já iniciaram as pressões sobre o futuro presidente. “A turma da bufunfa não descansa”, diz.

 

  

 
 
“Quando perde o primeiro e o segundo turnos em eleições presidenciais, ela [a turma da bufunfa] não demora a providenciar um terceiro. Como a sua derrota nos dois turnos regulamentares está desenhada, os bufunfeiros trataram de se movimentar desde logo”, escreve.

O economista resgata matéria do jornal Valor Econômico sobre as inquietações eleitorais do mercado financeiro. Segundo ele, a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) preocupa menos o financismo, já que entregou o terceiro turno por antecipação, anunciando a nomeação para a Fazenda de Paulo Guedes, um ultraliberal. 

Sobre uma eventual vitória de Fernando Haddad, do PT – apontado por Batista Jr como favorito no pleito –, um dos entrevistados anônimos do jornal falou em tom de ameaça: “o estresse vai ser enorme”. Outro interlocutor anônimo do Valor defendeu que Haddad deve anunciar nomes liberais para sua equipe. "Algum estelionato eleitoral vai ter que haver", previu.

“Ora, quem conhece a história do Brasil sabe que estelionato eleitoral equivale a suicídio político. Haddad é experiente e hesitará muito antes de embarcar nessa canoa. Mas as pressões nos mercados financeiro e cambial podem ser intensas. Não basta saber; é preciso também ter nervos de aço”, escreve Batista Jr.

Ele lembra que, em 2002, Lula cedeu ao mercado e nomeou Antonio Palocci ministro da Fazenda e Henrique Meirelles para presidente do Banco Central. E, em 2014, Dilma fez o mesmo, cedendo o comando da Fazenda a Joaquim Levy.

“A derrota no terceiro turno não se dá pela manutenção pura e simples da equipe econômica do governo anterior. Lula não deu ouvidos aos que queriam a continuação de Pedro Malan e/ou Armínio Fraga. Também não serão ouvidos os que recomendam conservar a equipe econômica de Temer. Mas isso pouco importa. A turma da bufunfa dispõe de dezenas, para não dizer centenas, de nomes aceitáveis, equivalentes a Meirelles, Ilan Goldfajn ou Fraga. Para seguir a cartilha, não precisa ser nenhum gênio. Profissionais medianos, sempre encontradiços, são até preferíveis, pois seguem ordens com mais satisfação e menos escrúpulos”, coloca.

O economista avalia que, desta vez, o mercado pode se ver numa situação menos favorável. Segundo ele, a centro-esquerda aprendeu com a experiência e, para Batista Jr, o quadro econômico brasileiro, “embora muito difícil, não é desesperador, como era por exemplo o de 2002”.

“A inflação está sob controle, apesar da alta do dólar. As expectativas de inflação continuam próximas do centro da meta. As taxas de inflação corrente e os núcleos de inflação (as medidas de inflação subjacente) estão bem comportados. Ainda mais significativa é a força do setor externo da economia brasileira. O déficit de balanço de pagamentos em conta corrente é muito pequeno; os ingressos de investimentos diretos estrangeiros equivalem a várias vezes o déficit corrente”, aponta.

Além disso, ele cita, o país dispõe de reservas internacionais da ordem de US$ 380 bilhões e o Banco Central pode se valer ainda de swaps cambiais. “Ataques especulativos são sempre possíveis. Mas desta vez a turma da bufunfa vai ter que suar a camisa”, encerra.

 

 Do Portal Vermelho, 27 de setembro de 2018.

 

Fonte: sintracimento.org.br

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