CNC alerta para impacto de R$ 357 bilhões com fim da escala 6×1
Em debate promovido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo nesta segunda-feira (23/2), o economista-chefe da entidade, Fábio Bentes, afirmou que a discussão sobre a redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1 envolve aspectos estruturais das relações de trabalho.
“A negociação coletiva é o instrumento mais eficiente para promover as relações entre trabalhadores e empregadores, sendo superior à imposição do Estado”, declarou. Ele também destacou a produtividade e a flexibilidade como pontos centrais. “Nos países desenvolvidos, trabalha-se menos horas porque a produtividade é maior, e isso está ligado à qualificação”, afirmou.
Segundo Fábio, a economia reage a mudanças nos custos. “Se sobrecarregarmos o empregador com custos trabalhistas, o negócio se torna inviável, forçando o repasse para os preços”, disse.
O economista apresentou, ainda, dados de estudo elaborado pela CNC. “O custo de adequação para manter o funcionamento seria de R$ 122 bilhões para o comércio e de R$ 235 bilhões para o setor de serviços”, afirmou. Para manter 447 milhões de horas semanais sem a escala 6×1, o comércio precisaria contratar 986 mil pessoas. “Não há mão de obra qualificada suficiente”, declarou.
De acordo com o levantamento, 57% das principais profissões do comércio já apresentavam sinais de escassez em setembro do ano passado. Fábio afirmou que a mudança poderia provocar aumento de preços e redução da rentabilidade. “O aumento nos custos forçaria uma alta estimada de 13% nos preços do comércio e derrubaria a margem de lucro médio do setor de 10,2% para 5,7%”, disse.
Ele também citou risco de avanço da informalidade. “O Brasil já possui quase 40% da sua força de trabalho na informalidade devido aos elevados encargos. Aumentar os custos trabalhistas agravaria isso”, afirmou. Segundo o economista, o trabalhador informal recebe, em média, remuneração cerca de 30% inferior à do emprego formal.
No turismo, o impacto projetado é maior. “O acréscimo de custo na folha chegaria a 54%, pois é um setor intensivo em trabalho humano e que não sofre concorrência de importações ou do comércio eletrônico como no varejo tradicional”, declarou.
Para Fábio, “o fim da jornada 6×1 sem negociação gerará custos elevados, impulsionará demissões, repasse inflacionário e fechamento em determinados dias da semana, além de acelerar a substituição de pessoas por tecnologia de autoatendimento”.
CORREIO BRAZILIENSE
Fonte:sintracimentos.org.br