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Economistas veem impacto limitado das tarifas dos EUA no PIB

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve ter impacto limitado sobre o crescimento da economia do país, mas tende a atingir com maior intensidade setores que ficaram de fora da lista de exceções. Na avaliação de economistas, a ampliação da relação de produtos isentos ameniza parte dos efeitos da medida e reduz os riscos para a atividade econômica, embora as tensões comerciais e diplomáticas permaneçam no radar.

Para a economista-chefe da InvestSmart XP, Mônica Araújo, a decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio, já era esperada diante dos entraves no avanço das negociações entre os dois países.

“A taxação já era amplamente esperada pelo governo brasileiro e pelo mercado, diante das dificuldades de se chegar a alguma negociação que pudesse resultar ao menos na postergação da implementação das tarifas. A lista de exceções foi mantida, o que certamente minimiza o impacto econômico para o Brasil”, afirmou.

Segundo a economista, o contexto político brasileiro, marcado pela proximidade das eleições gerais, reduziu as chances de uma negociação mais pragmática com Washington. Mônica Araújo também chamou atenção para o tom adotado pelos governos dos dois países, avaliando que a troca de declarações dificulta uma retomada do diálogo diplomático. “O impacto negativo evidente nas relações diplomáticas entre Brasil e EUA não deve ocorrer na mesma proporção na parte econômica”, avaliou.

Na estimativa de Mônica Araújo, a tarifa média efetiva aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve subir para cerca de 18%, alta de aproximadamente seis pontos percentuais. Apesar disso, ela considera que os efeitos sobre o Produto Interno Bruto (PIB) serão limitados. “O impacto é pequeno para o PIB do Brasil, o que não elimina o efeito micro mais relevante para alguns setores que ficaram de fora da lista de exceções, tais como bens industriais, petroquímicos e granito, entre outros”, concluiu.

A economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, Bruna Centeno, também avalia que o anúncio deve permanecer no radar dos investidores por elevar a percepção de risco, mas pondera que a ampliação da lista de produtos isentos reduz parte da pressão sobre a economia brasileira. “Tarifa sempre vai repercutir na ponta da inflação e no aumento do prêmio de risco. Mas um ponto importante é o fato de a lista de isenção ter sido ampliada em relação ao texto divulgado inicialmente em junho”, afirmou.

Segundo ela, a exclusão de produtos como carne bovina, café, laranja, suco de laranja, petróleo, celulose e parte da fabricação de aeronaves evitou um impacto mais severo sobre as exportações brasileiras. “Seria muito mais prejudicial para o Brasil se esses itens tivessem sido incluídos na lista. O mercado já havia precificado parte desse risco, mas a ampliação das isenções tende a reduzir um pouco esse prêmio”, disse.

Bruna Centeno ressalta ainda que os efeitos da medida também devem ser sentidos pelos Estados Unidos, especialmente por empresas que dependem de insumos brasileiros. “Quando a gente fala em novas taxas, isso não é um ponto negativo só para o Brasil. Isso também tende a elevar os custos para as empresas americanas e para o consumidor americano, principalmente nas indústrias que utilizam bastante insumos brasileiros”, explicou.

Para a economista, embora a imposição das tarifas aumente as tensões comerciais entre os dois países, o histórico recente indica que ainda há espaço para novas rodadas de negociação. “É um tema sensível, que aumenta as tensões entre as duas economias, mas, pelo fato de o texto já ter ampliado a lista de isenções, é possível que haja um novo debate e uma eventual redução da tarifa ou a inclusão de mais produtos entre as exceções”, avaliou.

CORREIO BRAZILIENSE

https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2026/07/7462493-economistas-veem-impacto-limitado-das-tarifas-dos-eua-no-pib.html

 

Fonte:sintracimento.org.br

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