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Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Ladrilhos Hidráulicos, Produtos de Cimento, Fibrocimento e Artefatos de Cimento Armado de Curitiba e Região

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Após ataque a Bolsonaro, campanha será decidida nas franjas

Quadro terá mudanças nas bordas do eleitorado, mas não necessariamente definitivas

 

A composição de núcleos cada vez mais concentrados do eleitorado deu forma à corrida presidencial até aqui. Os candidatos ergueram fortalezas e amarraram os votos de seus apoiadores mais dedicados. Agora, a quatro semanas do primeiro turno, o comportamento das chamadas “franjas” de cada campo será o fator determinante da disputa.

atentado a Jair Bolsonaro (PSL) deve intensificar a movimentação desses eleitores que ainda não estão comprometidos com uma candidatura específica. O ataque ao deputado acirra os ânimos, amplifica as vozes emitidas pelas campanhas e estimula migrações entre os diversos territórios da disputa.

Bolsonaro havia consolidado um núcleo maciço. Seus adversários tentavam estancar sua expansão e roubar uma fatia de apoiadores menos firmes. Nos últimos dias, a rejeição ao candidato começou a subir e as equipes rivais detectavam os primeiros sinais de êxodo naquelas franjas.

O ataque a faca tende a frear esse movimento. Eleitores posicionados em suas bordas darão um passo em direção ao núcleo, parte dos emigrantes retornará, e alguns indecisos podem adentrar seus portões.
A cobertura do atentado na TV terá efeito no curto prazo. Antes do atentado, 21% dos eleitores diziam não conhecer Bolsonaro. A imagem do deputado chegará a muitos deles, embora a exposição não se converta imediatamente em adesões.

A equipe do capitão reformado tentará atrair novos imigrantesdiretamente para o núcleo. O reforço ao discurso antipetista na esteira do ataque serve como ímã. A campanha também tentará blindá-lo ao alegar que as críticas dos rivais fomentaram a violência —embora ele mesmo tenha surfado no radicalismo.

Os deslocamentos iniciais, porém, devem se dar nas pontas do terreno, o que sugere que o quadro terá mudanças logo, mas não necessariamente de forma definitiva. Em algum tempo, a disputa por votos tende a retomar sua dinâmica de competição. O fluxo e refluxo de eleitores nas franjas será determinante.

 
Bruno Boghossian

Jornalista, foi repórter da Sucursal de Brasília. É mestre em ciência política pela Universidade Columbia (EUA).

 

Fonte: Folha de S.Paulo, 10 de setembro de 2018.

 

Fonte: sintracimento.org.br

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