Greve dos Correios deve continuar após suspensão de julgamento pelo TST
Greve dos Correios deve continuar após suspensão de julgamento pelo TST
A greve dos trabalhadores dos Correios deve continuar depois da suspensão do julgamento sobre a legalidade da paralisação no Tribunal Superior do Trabalho, nesta segunda-feira (21/09). A empresa havia apresentado documentos com pedido de abusividade, que poderiam resultar em uma multa de R$ 200 mil às entidades dos trabalhadores. O presidente da corte, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, deu 48h para que os sindicatos possam analisar o documento apresentado pela empresa.
O ministro entendeu que a federação dos trabalhadores não teve tempo suficiente para ver os materiais. Para ele, não há como determinar a abusividade de uma greve sem que o lado contrário pudesse se manifestar. “Não houve controvérsia sobre os documentos. Ou seja, nós estaríamos aqui em desprezo ao devido processo legal porque estaríamos fundamentando uma decisão em documentos não examinados pela parte contrária”, afirmou.
Nesta segunda, durante o ato realizado em frente ao TST, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Distrito Federal e Região do Entorno (Sintec-DF), Amanda Corcino, afirmou que a multa é um ataque aos trabalhadores.
“A greve é legal, é justa e não vai recuar. A tentativa de nos multar em R$ 200 mil é mais um ataque da empresa contra os trabalhadores. Não vamos aceitar nenhum retrocesso nos nossos direitos. A mobilização continua, e a pressão só aumenta. Amanhã estaremos novamente na porta da empresa para mostrar que a categoria está unida e determinada a conquistar o que é nosso.”
Em uma rede social, o Sintec-DF disse que vai persistir com a paralisação. “A greve segue firme e só termina com uma proposta que garanta a manutenção e a recomposição de todos os direitos dos trabalhadores. A luta continua!”.
Amanhã (22/09) os sindicatos convocaram uma manifestação em frente ao edifício dos Correios, em Brasília, às 9h30.
A greve
A greve nacional teve início no dia 10 de setembro. Os trabalhadores exigem que a estatal mantenha o modelo atual do plano de saúde, em que os Correios permanecem responsáveis pela gestão do benefício.
De acordo com a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e das Empresas de Comunicações (FINDECT), as demais negociações no Acordo Coletivo de Trabalho avançaram, mas o plano de saúde continua um impasse.
A principal preocupação da federação são as mais de 170 mil pessoas dependentes do benefício, entre trabalhadores, aposentados e dependentes.
Antes do julgamento, a Justiça havia determinado, em decisão liminar, que a categoria mantivesse 80% do efetivo em cada unidade ou estabelecimento dos Correios durante a paralisação.
O presidente FINDECT, José Aparecido Gândara, incentivou que os trabalhadores das bases dos sindicatos filiados continuem em greve até a retomada da sessão.
“Trabalhadores e trabalhadoras dos Correios da base da FINDECT. Neste momento foi suspensa a sessão de julgamento do dissídio coletivo que vai ser retomada na quinta-feira às 13:30. Então até lá a orientação da FINDECT é pela continuidade da greve”, afirmou o presidente da federação, José Aparecido Gândara.
Fonte: CORREIO BRAZILIENSE
Fonte:sintracimento.org.br